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  AMIBA
Associação de Criadores de Bovinos de Raça Barrosã

Origem

Alguns autores referem a existência, no Norte de África (Vale do Nilo), de animais com características morfológicas semelhantes à actual raça Barrosã, em especial no que se refere à forma, tamanho e espessura dos cornos. Estes animais são normalmente associados à designação subespecífica Bos primigenius opisthonomus (embora também se refira como Bos primigenius mauritanicus e como Bos tauros desertorum), e terá chegado à Península Ibérica através de várias rotas migratórias dos povos norte-africanos. A raça Barrosã poderia, assim ser incluída no tronco mauritânico, tendo como ancestral Bos primigenius mauritanicus (GARCIA et al., 1981).  A prova escrita mais evidente deste facto está nas esculturas do velho Egipto.


Neste contexto, poderá admitir-se que o gado que corresponde a este grupo se tenha instalado na Península Ibérica, provavelmente durante a longa ocupação Moura. Posteriormente, a raça Barrosã terá sido desalojada pelos troncos ibérico e aquitânico, restando apenas um núcleo populacional confinado às zonas planálticas do Barroso e do Minho, onde permaneceu até hoje.


Quanto à conformação dos bovinos Barrosãos, explica MIRANDA DO VALE (1908), "o que deu aos bois barrosões tão portentosa e descomunal armadura foi a nosso ver a forma tradicional porque, nas serranias montalegrinas se faz a escolha do marel. Apartam-se os reprodutores, assolando, um contra o outro dois candidatos à função magna da reprodução e aquele que depois de enlaçar as armas com o adversário, consegue recuá-lo, derrubá-lo ou pô-lo em fuga, esse é o touro da freguesia, o padreador das vacas da vezeira. Ora esta divertida forma de eleição dá a primazia aos touros de maior ossatura capital, mais potentes musculatura céfalo-cervical, maior força céfalo-cervical, mais força no ângulo társico e, por variação correlativa, determina o grande desenvolvimento dos chifres".


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Todavia a prática das lutas que teriam condicionado a modificação dos ossos da cabeça e o deplorável desenvolvimento da cornamenta, que se dirige nos touros para a frente e para cima, por forma a constituir maior ameaça para o rival, por feliz circunstância determinou também a selecção dos touros que possuíam mais fortes membros, dotados de bons curvilhões, de garupa horizontal e larga, provida de boas massas musculares e bem ligada ao terço dianteiro, através de uma região lombar larga e bem musculada. Quem tenha observado estas "chegas" no Barroso deve reconhecer que sem estes requisitos somáticos não seria possível desenvolver o prélio a que se assiste até que, por vezes não ferido, mas convencido da sua menor potencialidade perante o adversário, um dos rivais se acobarda e foge. E touro que foge é vexatório no Barroso ser utilizado na padreação.


De duas centenas de milhar há dois séculos atrás, passando a uma centena de milhar no início do século e a menos de sete escassos milhares na actualidade, já Silvestre Bernardo Lima em 1873 referia o recuo no seu solar onde o Barrosão foi sendo substituído por exemplares Mirandeses (localmente, denominados "galegos", em oposição aos Barrosãos, designados por "portugueses"). Os factores deste recuo foram a expansão da cultura de batata de semente e consequente exigência de trabalho animal para arroteamento de terrenos incultos, a melhor condição dinamófora da raça Mirandesa e a sua melhor e maior precocidade e estatura. Concomitantemente com a Mirandesa foi-se infiltrando no Barroso uma outra raça, menos corpulenta, a Maronesa, proveniente dos concelhos vizinhos. No Minho a sua substituição foi feita pelas raças leiteiras Galega e Turina/Frísia. Esta raça expandiu-se de tal forma desalojando uma outra raça de função tripla, a Galega / Minhota do seu solar, mais tarde viria a acontecer o inverso.


O Barrosão também é conhecido nos concelhos de Melgaço, Monção e Arcos de Valdevez pela designação de Piscos pelo facto de serem animais muito sóbrios em comparação com as outras raças que consigo coabitavam. Designavam-se também por Portugueses na região de Trás-os-Montes para se distinguir de outras raças oriundas da vizinha Galiza.

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As feiras mais importantes que se realizavam na antiguidade são aquelas que estiveram na sua rota de expansão e também na maneira sui generis como eram exploradas. Assim, os animais nasciam no Barroso, eram vendidos em vitelos para concelhos limítrofes para aí serem recriados e fazerem os trabalhos agrícolas e só mais tarde, já na idade adulta, eram vendidos para outros concelhos nomeadamente Maia, Santo Tirso, Porto, Vila do Conde, Póvoa de Varzim e Barcelos, para aí serem engordados, ou cevados, sendo depois os famosos "bois do barco" vendidos directamente, sem intermediários, para serem exportados para Inglaterra. A famosa e inigualável carne que produziam era assim repasto da mesa de nobres, marinha inglesa e casas mais abastadas de Inglaterra.


As feiras destas rotas eram a feira de Rossas, no concelho de Vieira do Minho, cujos animais seguiam para os concelhos de Fafe, Celorico de Basto, Guimarães, Santo Tirso, Felgueiras, etc. e a feira de Pico de Regalados, no concelho de Vila Verde, onde os animais eram vendidos para os concelhos de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Monção, Melgaço, Paredes de Coura e Ponte de Lima.


Os primeiros passos para o melhoramento da raça bovina Barrosã foram dados em 1914, tendo como base legal o Decreto nº 925 de 2 de Outubro, que aprovou a organização do Posto Zootécnico do Gerês (Garcia, 1964).
Em 1977 publica-se um importante documento legislativo, a Portaria nº 385/77 de 25 de Junho que contém o regulamento relativo às normas de reprodução animal, Livro Genealógico e contrastes funcionais. Em 1980 num esforço conjunto da Direcção Geral dos Serviços Veterinários (DGSV) e da Direcção Regional de Agricultura de Entre-Douro e Minho (DRAEDM) é nomeada uma comissão de técnicos para se dar início ao Registo Zootécnico da raça.