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  AMIBA
Associação de Criadores de Bovinos de Raça Barrosã

Melhoramento

O primeiro diploma oficial que foi promulgado no sentido especial do melhoramento da raça bovina barrosã, foi o Decreto nº 925, de 2 de Outubro de 1914 que aprovou a organização do Posto Zootécnico do Gerês, que nunca chegou a funcionar. Em 13 de Dezembro de 1916, pelo Decreto nº 28/92, este Posto foi substituído por outro instalado em Montalegre, designado por Posto Zootécnico do Barroso. Passados 20 anos o Posto Zootécnico do Barroso foi extinto abruptamente e as suas instalações ocupadas pelos serviços fitopatológicos de apoio à cultura de batata de semente que, entretanto, vinha tomando forte expansão local e ocupando grande parte dos belíssimos lameiros naturais do planalto.

O Posto Zootécnico de Viana do Castelo é criado pelo Decreto nº 16678, de 1 de Abril de 1929; mais tarde a Estação de Fomento Pecuário de Entre Douro e Minho, em Barcelinhos, na década de setenta, passa a dar apoio directo à raça através da recria de vitelos adquiridos nas melhores zonas de criação, tanto no Barroso como no Minho. A última estação de melhoramento criada pela Direcção Regional de Agricultura de Entre Douro e Minho em 1995, situada na Quinta do Pinhó, em S. Torcato no concelho de Guimarães, Estação Regional de Produção Animal, tem em vista, não só a testagem de reprodutores, mas também a colheita de sémen e de embriões.

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Em meados de 1981 a Direcção Regional de Agricultura de Entre Douro e Minho (DRAEDM) em colaboração com a Direcção Geral de Pecuária (DGP) põe a funcionar o Registo Zootécnico, tendo sede em Lamaçães, concelho de Braga, ocupando geograficamente o centro da área de dispersão desta raça. Mais tarde, em Março de 1993, é reconhecida a capacidade legal da Associação dos Criadores de Bovinos de Raça Barrosã (AMIBA), sendo estabelecido um protocolo de transferência para esta associação do referido Registo Zootécnico/Livro Genealógico.

A primeira acção de apoio para travar a contínua regressão do efectivo dá-se em 1976 através de um despacho do Ministro da Agricultura que institui o prémio de 2.000$00 por cada filho ou filha de raça bovina nascidos de pais inscritos em Livro Genealógico, sendo nessa altura os Livros Genealógicos geridos pelo Estado. Em 1979 é criado o prémio de recria de novilhas, no montante de 3.000$00 a atribuir a cada fêmea inscrita no LG (LN) e que seja recriada a partir dos 6/10 meses e se encontre prenhe de touro inscrito no Livro Genealógico (LA) até à idade de 30 meses. Em 5 de Julho de 1985 este prémio de recria é alterado para 10.000$00.

Em 19 de Fevereiro de 1992 é criado o programa de melhoramento designado por NOVAGRI pela portaria nº 106/92 no Diário da República - I série-B, que altera o montante dos prémios, passando a receber 10.000$00 os vitelos que forem inscritos no RZ (livro de nascimentos) e nessa altura há também um incentivo dado aos postos de cobrição natural que recebem 1.000$00 por cada vitelo inscrito no livro de nascimentos filhos de pais registados. O prémio à recria de novilhas é alterado de 10.000$00 para 20.000$00. É a partir desta data que há um apoio directo às associações de criadores. 

Ainda em 1992 o programa NOVAGRI é substituído pela Medida II - C do programa português de aplicação do regulamento (CEE) nº 2078/92 (Medida Agro-Ambientais - Medida 18), a qual se traduz num prémio anual de 100 ECUs/CN por fêmea adulta, sendo a duração do compromisso de manutenção do efectivo em linha pura de 5 anos. Este prémio entrou em vigor em 1994. Para além deste, foi novamente implementado, em 1998, um prémio à recria de novilhas com 2 anos, que tendo acabada de ser recriada e integrada no efectivo reprodutor da exploração, tendo parido apenas uma cria nascida na exploração e inscrita no livro de nascimentos, equivalente, no primeiro ano de concessão da ajuda de 1,9 CN.

Em 24 de Março de 1998 é criada a ajuda à primeira aquisição de reprodutores masculinos testados ou aprovados em provas morfo-funcionais, inscritos no Livro Genealógico ou Registo Zootécnico e utilizados na reprodução durante pelo menos 1 ano. Esta ajuda é atribuída sob a forma de subvenção a fundo perdido no valor de 50% do custo do reprodutor, e ainda, 50.000$00 para os novilhos recriados, aprovados em teste, e utilizados na reprodução durante pelo menos um ano. 
Para o bovino reprodutor dador de sémen é atribuída uma ajuda no valor de 200.000$00/animal, no entanto estas duas últimas medidas nunca foram atribuídas.

A AMIBA, tem a sua sede na Quinta do Penedo, Souto - Lanhas, Vila Verde, tendo actualmente 1.700 criadores activos associados e como finalidade a preservação e o melhoramento da raça, identificando ao nascimento todos os vitelos filhos de pais inscritos, controlando os postos de cobrição natural e a inseminação artificial. É responsável, também, pela testagem e recria de reprodutores machos que depois de avaliados em testes de progeny e performance, são escolhidos os melhores para colheita de sémen, seguindo mais tarde para os postos de cobrição natural, e os outros são vendidos para os criadores que o solicitarem.

Em 1991 inicia-se a Inseminação Artificial tendo sido colhido sémen na Estação Nacional de Selecção e Reprodução Animal da Venda Nova. Mais tarde, em 1993, a AMIBA contrata os serviços da Estação de Apoio à Bovinicultura Leiteira (Estação de Verde Milho) procedendo à colheita de sémen nas explorações. Em 1995 foi feita a colheita de sémen na Estação Nacional de Selecção e Reprodução Animal da Venda Nova e em 1998, os técnicos desta estação vêm fazer a colheita nas instalações da Estação Regional de Produção Animal da Direcção Regional de Agricultura de Entre Douro e Minho (S. Torcato - Guimarães). Hoje a colheita de sémem dos animais da raça Barrosã é feita no Centro de Colheita de Sémen de S. Torcato pela FERA - Federação Nacional  das Associações de Raças Autóctones em colaboração com a DGAV.

Em 1994 é criado o Agrupamento de Produtores "Carne Barrosã - DOP" e publicado em Diário da República a portaria que permite a utilização da Denominação de Origem Protegida pela Cooperativa Agrícola de Boticas - CAPOLIB; hoje há 1.720 associados no Agrupamento e o seu objectivo principal é garantir o escoamento da produção, assegurando a entrega do produto e a eliminação de intermediários que diminuem significativamente o rendimento dos produtores.

A conservação e o melhoramento animal é regulamentado, hoje, pelo PDR 2020 através da Portaria n.º 55/2015, de 27 de fevereiro, «Manutenção de raças autóctones em risco» que integra a ação n.º 7.8, «Recursos genéticos», a qual se encontra inserida na medida n.º 7, «Agricultura e recursos naturais», da área n.º 3, «Ambiente, eficiência no uso dos recursos e clima».